O leite materno é o melhor alimento para um bebê até os seis meses de vida, quando se inicia a alimentação complementar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda como forma exclusiva de alimentação nos primeiros seis meses, e até dois anos, no mínimo, complementada adequadamente com outros alimentos. Por isso, os profissionais de saúde acompanham as famílias neste processo, aconselham-nas e contribuem ao máximo para que possa ser realizado de forma adequada, caso se deseje. Os fonoaudiólogos fazem parte dessas equipes de profissionais, principalmente nos casos complicados, quando há dificuldades de sucção ou disfagia (dificuldade para engolir). Assim explica Belén Ordoñez, fonoaudióloga especialista em disfagia neonatal e pediátrica e integrante do Colégio Profissional de Fonoaudiólogos da Comunidade de Madrid (CPLCM): “Como profissionais de saúde da área de nutrição e disfagia em geral, e da área pediátrica-neonatal em particular, nosso dever é promover o aleitamento materno. A amamentação é possível graças à díade mama-boca, daí a importância da figura do fonoaudiólogo para realizar um acompanhamento adequado do recém-nascido, desde o nascimento até a estabilização da alimentação por via oral. Deste modo, no caso de apresentarem dificuldades, eles serão detectados nos primeiros sinais de alerta e serão redirecionados graças à intervenção fonoaudiológica”.

As alterações na alimentação neonatal e no estabelecimento da lactação são muito mais frequentes do que pensamos, seja em um bebê saudável, prematuro ou patológico. A pega inadequada se traduz em dor, mastite por mau esvaziamento da mama, mamilos deformados após a mamada, fissuras e lesões, que podem levar ao abandono da amamentação se a situação não for resolvida. Por isso, é importante dar atenção especial ao desenvolvimento orofacial do bebê, tanto anatômica quanto funcionalmente.

Belén Ordoñez avisa que é recomendável visitar o fonoaudiólogo quando não for observado ganho de peso adequado, ruídos orais durante a amamentação, mamadas excessivas prolongadas que não satisfazem o suficiente, houver engasgos ou tosse, ou movimentos anormais da língua ou mandíbulapois todos esses são sintomas que podem estar escondendo um padrão de sucção ineficaz.

Conforme o caso, caberá ao fonoaudiólogo corrigir as alterações orais que estão afetando o bebê em seu processo de alimentação, seja por ser um bebê a termo com dificuldades, seja por ser um recém-nascido prematuro ou com alguma patologia que impede a alimentação por via oral e forçada a usar dispositivos de alimentação externos.

De qualquer forma, segundo a fonoaudióloga do CPLCM, “com acompanhamento e tratamento precoces, será favorecido o correto estabelecimento do aleitamento materno direto, diferido em aleitamento misto ou artificial, se a situação assim o exigir. Tudo isso em estreita colaboração com o restante da equipe multidisciplinar que cuida do recém-nascido”.