7 de junho é o dia Dia Mundial da Conscientização da Síndrome de Tourettetranstorno do neurodesenvolvimento caracterizado principalmente pelo desenvolvimento de tiques motores e fônicos que são persistentes e mudam ao longo do tempo e que, segundo dados do Sociedade Espanhola de Neurologia (SEN)afeta 0,3%-0,8% da população menor de 18 anos na Espanha.

“Para o diagnóstico da síndrome de Tourette é necessário que o início dos tiques comece antes dos 18 anos, mas nem todos os tiques que ocorrem na infância são consequência dessa síndrome. Tenha em mente que os tiques são o distúrbio de movimento mais comum na infância e que até 10% das crianças em idade escolar sofrem de tiques transitórios (menos de 12 meses de duração) e que 2% e 4% sofrem de outro distúrbio crônico devido a tiques motores ou fônicos. Pelo contrário, menos de 1% da população infantil sofre desta síndrome”, explica o Dr. Diego Santos, Coordenador do Grupo de Estudos de Distúrbios do Movimento SEN.

O diagnóstico da síndrome de Tourette é clínico e requer o aparecimento, nos menores de 18 anos, de pelo menos dois tiques motores e um tique vocal mantidos por mais de um ano. Os tiques motores são frequentemente o primeiro sintoma deste distúrbio e afetam preferencialmente áreas do face, pescoço, ombros e menos frequentemente para os braços ou tronco, sendo os mais comuns o fechamento das pálpebras e outros movimentos ao redor dos olhos, na boca, nariz, cabeça e ombros. Em pacientes com maior gravidade e/ou duração da doença, os tiques tornam-se mais complexos e ocorrem alongamentos dos braços, toques, saltos, torções e outros movimentos complexos. Às vezes, esses tiques estão ligados em uma sequência.

Por outro lado, Os tiques fônicos têm início tardio e os mais comuns são pigarro, fungada, tosse e/ou guincho simples. Ecofenômenos (como ecopraxia, que é a repetição involuntária dos movimentos de outra pessoa; ou ecolalia, que é a repetição involuntária da linguagem de outra pessoa e) ocorrem em cerca de metade dos pacientes com síndrome de Tourette.

Observe também que, embora a coprolalia seja um sintoma característico da síndrome de Tourette, ela ocorre em apenas cerca de 10% dos pacientes. A coprolalia, que é a expressão involuntária de palavras obscenas ou comentários depreciativos, é mais frequente no sexo masculino, geralmente aparece cerca de cinco anos após o início dos tiques e tende a estar associada a outros comportamentos socialmente inadequados, como cuspir, cheirar objetos, etc.

“Embora os tiques associados a esse transtorno possam ser altamente variáveis ​​entre os pacientes, algo que os caracteriza é que flutuam, com períodos de remissão e outros de agravamento. Também muito característico na evolução desta síndrome é a persistência de certos tiques e o aparecimento e desaparecimento de novos tiques”, comenta Dr. Diego Santos.

Embora a síndrome de Tourette possa se manifestar a qualquer momento na infância, a idade mais comum de início dos primeiros sintomas é entre 5 e 7 anos. É comum que os tiques tendam a piorar entre os 10 e os 14 anos e, inversamente, a partir dos 16 anos tendem a melhorar. Quando os pacientes atingem a idade adulta, os tiques só permanecem com a mesma frequência e intensidade em 5-10% dos casos, em aproximadamente 50% dos pacientes os tiques remitem e em 40-45% melhoram. É mais comum em homens do que em mulheres (na proporção de 4:1).

“Como a origem desse distúrbio ainda não está clara, ainda é considerada uma síndrome, mas a maioria dos pacientes apresenta um quadro clínico tão típico que tudo parece apontar para que ele surja como resultado do efeito da interação entre múltiplos genes e fatores ambientais fatores, como complicações durante a gravidez ou infecções. Também é comum encontrar um histórico familiar: alguns estudos indicam presença de história familiar em até 52% dos pacientes”, destaca o Dr. Diego Santos. “Além disso, é importante ter em mente que, além dos tiques, aproximadamente 5% dos pacientes têm distúrbios de movimento adicionais e que os pacientes também podem apresentar um amplo espectro de problemas sensoriais, comportamentais e cognitivos”.

90% dos pacientes com síndrome de Tourette apresentam algum transtorno neuropsiquiátrico, sendo os mais frequentes ansiedade, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC): a comorbidade dos tiques com o transtorno obsessivo-compulsivo atinge 50% dos pacientes, e sua comorbidade com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade em até 40%. Mas também outros, como comportamentos impulsivos e/ou automutilantes, ataques de raiva/raiva, depressão, distúrbios de aprendizagem e características leves de distúrbios do espectro do autismo. Essas complicações têm alto impacto na qualidade de vida, às vezes mais importante do que a gerada pelos próprios tiques.

“Por tudo isso, os pacientes precisam de um abordagem multidisciplinar, incluindo pediatras, neurologistas, psiquiatras e psicólogos, para abordar satisfatoriamente todos os aspectos desta síndrome clínica complexa.” comenta Dr. Diego Santos. “Atualmente não há tratamento para curar essa síndrome, mas há para tratar muitos de seus sintomas. Mas, independentemente do tratamento medicamentoso para os sintomas, é muito importante abordar os aspectos psicológicos desta síndrome, desenvolvendo estratégias que reduzam a ansiedade e melhorem a tolerância à doença a médio-longo prazo. Por si só, essa medida pode ser suficiente para alguns pacientes, ou pelo menos por alguns períodos de tempo.”

Para mais informações sobre a Síndrome de Tourette, você pode acessar o “Consenso Nacional sobre a Síndrome de Tourette”, elaborado pelo Grupo de Estudos de Distúrbios do Movimento do SEN.